O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), concluiu, neste sábado, 8 de agosto, uma nova etapa de ações voltadas à estruturação do ecoturismo em Sergipe. Desde o dia 1º, equipes percorreram áreas de diferentes municípios das regiões das Serras Sergipanas e do Velho Chico, avaliando atrativos naturais, conhecendo possibilidades de novos roteiros e reunindo informações que vão contribuir para o planejamento sustentável da atividade turística.
A agenda integrou a execução dos Planos de Ecoturismo dos territórios das Serras Sergipanas e do Velho Chico, trabalho desenvolvido pela Setur em parceria com a empresa Reconexão Natural, especializada em roteiros ecoturísticos pelo método Padrão Parque Nacional. A iniciativa representa uma nova fase após o diagnóstico das potencialidades naturais do estado e busca transformar esses atrativos em produtos turísticos organizados e preparados para receber visitantes. A equipe responsável pelas ações nos dois polos foi composta pela engenheira ambiental Thassia Luiza Santana Costa, pelo arquiteto Rafael Lisboa e pela estagiária Aurora Vieira.
Thassia Costa avaliou como extremamente positivos os resultados desta etapa do projeto de estruturação do ecoturismo em Sergipe. “A integração e a troca de experiências entre os diferentes atores sociais que compõem a rede do ecoturismo fortaleceram a compreensão sobre as potencialidades dos territórios e, sobretudo, sobre os desafios que ainda precisam ser enfrentados para a consolidação do ecoturismo em Sergipe”, destacou.
De acordo com a engenheira ambiental, tanto no Polo Velho Chico quanto no Polo das Serras Sergipanas, os consultores e especialistas envolvidos no projeto identificaram importantes oportunidades para o desenvolvimento de experiências de ecoturismo. Entre os destaques, ela aponta áreas com elevado potencial para a estruturação de roteiros de visitação capazes de alcançar projeção nacional e internacional. Para Thassia, o trabalho realizado nesta etapa foi além da identificação dos atrativos naturais existentes nas duas regiões.
O processo também permitiu reconhecer os territórios, as pessoas, os saberes e as iniciativas locais que podem integrar uma estratégia mais ampla de planejamento e gestão do ecoturismo em Sergipe. Segundo a engenheira ambiental, a partir desse olhar integrado, a proposta é contribuir para posicionar Sergipe como um destino de referência no segmento, conciliando a conservação da natureza com a valorização da cultura, dos conhecimentos locais e da geração de oportunidades para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades.
O secretário de Turismo de Canindé de São Francisco, Erasmo Marinho Filho, destacou a importância da parceria com a Setur para o fortalecimento do ecoturismo no município e em Sergipe. Segundo ele, a iniciativa contribui para a legislação, a estruturação e o mapeamento dos atrativos, além da implantação de sinalização nas trilhas. “Nossas trilhas serão mais seguras, confortáveis e proporcionarão uma experiência única para o turista”, assegurou. Para Erasmo, ações como essa são fundamentais para fortalecer o turismo em cada município e ampliar a projeção de Sergipe como destino turístico no Brasil e no mundo.
Potencial que impressiona
O presidente do Grupo de Especialistas em Turismo da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da Organização das Nações Unidas (ONU) e sócio-diretor da Reconexão Natural, Thiago Beraldo, destacou o potencial dos atrativos naturais de Sergipe para o fortalecimento do ecoturismo. Segundo ele, regiões como o Polo Serras Sergipanas, ainda pouco conhecido, e o Polo Velho Chico reúnem belezas naturais com capacidade de atrair visitantes de todo o Brasil e do exterior, além de contribuir para ampliar o tempo de permanência dos turistas. “O potencial de beleza cênica que vocês têm aqui é muito impressionante. Nossa equipe está bastante impressionada com a capacidade de atratividade dos locais”, comentou.
Thiago Beraldo ressaltou ainda a importância de transformar os atrativos em produtos e roteiros turísticos estruturados, beneficiando toda a cadeia produtiva. Ele explicou que o diagnóstico realizado pela equipe permitirá sistematizar informações, identificar a vocação de cada atrativo e definir os públicos mais adequados, além de orientar ações de planejamento, ordenamento e governança. Na avaliação do especialista, Sergipe também se diferencia pela proximidade entre os atrativos, pelas boas estradas, pela segurança e pela infraestrutura de deslocamento. “Quando criamos um produto, beneficiamos toda a cadeia produtiva do turismo”, ressaltou.
O diretor Nordeste da Rede Brasileira de Trilhas, embaixador da World Trails Network e técnico da Reconexão Natural, Waldemar Justo, também participou da visita técnica. De acordo com ele, a iniciativa representa uma etapa importante para estruturar novos produtos turísticos com base em critérios técnicos e no potencial das áreas visitadas. “Nessa primeira visita técnica, já foi possível perceber a grande relevância e a beleza cênica dos atrativos, com enorme potencial para o ecoturismo. Visitamos ilhas, cachoeiras e outros ambientes naturais que podem se consolidar como importantes produtos turísticos, inclusive em nível regional dentro do estado”, reforçou.
Já o turismólogo João Mauro Azevedo Carrilo, especialista em ecoturismo, turismo de base comunitária e planejamento territorial, que atua na Reconexão Natural como ponto focal do Polo Velho Chico, explicou que o trabalho da equipe é fundamental para estruturar o planejamento do ecoturismo na região e transformar o potencial natural de Sergipe em oportunidades de desenvolvimento. Além disso, na avaliação do especialista, os atrativos naturais sergipanos possuem características únicas e ainda são pouco explorados pelo ecoturismo. “Sergipe tem um potencial ímpar”, resumiu, destacando especialmente as trilhas da caatinga, que classificou como experiências raras no cenário nacional.
Após as visitas técnicas, João Mauro ressaltou que os roteiros de ecoturismo têm grande potencial para gerar renda e fortalecer as comunidades locais. “O cânion, as formações naturais e as trilhas da caatinga são diferenciados. Esse patrimônio pode impulsionar a economia, valorizar a cultura local e fortalecer o sentimento de pertencimento da população ao território”, evidenciou.
Sobre o diagnóstico técnico elaborado pela Reconexão Natural, o turismólogo explicou que o documento servirá como base para orientar as ações de curto, médio e longo prazo. “O relatório vai oferecer um planejamento prático para que os gestores e os atores locais consigam desenvolver o ecoturismo de forma organizada e sustentável”, afirmou.
Sobre as ações
Entre os pontos avaliados estiveram a Pedra da Arara, a Cachoeira de Macambira, a Serra da Miaba e o Poço 17, situado entre os municípios de São Domingos, Macambira e Campo do Brito. Na região de Itabaiana, a equipe também esteve na área da Ribeira e no Centro Administrativo da Unidade de Conservação do Parque Nacional da Serra de Itabaiana (Panasi).
No Alto Sertão, o trabalho teve como foco atrativos de Canindé de São Francisco e do entorno. A equipe visitou a Cachoeira do Lajedão e o Vale dos Mestres e avaliou, inclusive, a possibilidade de integrar diferentes formas de deslocamento em um mesmo roteiro.
A programação também contemplou atrativos situados em propriedades privadas, como o Sítio Letreiros, os Picos e a Fazenda Mundo Novo, mediante tratativas com os proprietários. A equipe esteve no Monumento Natural (Mona) Grota do Angico, entre Canindé de São Francisco e Poço Redondo, onde participou de reunião com a gestão da unidade de conservação e realizou uma visita técnica à Trilha dos Angicos.
Além das visitas de campo, a participação dos integrantes da cadeia turística foi considerada fundamental para o planejamento. As oficinas dos polos das Serras Sergipanas e do Velho Chico reuniram agentes sociais ligados à atividade, como representantes de hotéis, pousadas, restaurantes, condutores e empresas de ecoturismo. A contribuição desses profissionais permite identificar necessidades, oportunidades e condições para a implantação dos futuros roteiros.
